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    Grupo recusa-se a receber missão internacional

    Seeb/SP - Brasil  21 July 2010 16:50:00

    Banco perde oportunidade de alinhar discurso à prática e se fechou ao diálogo com representantes dos trabalhadores

    São Paulo - A direção do Santander recusou-se a receber a delegação de dirigentes sindicais organizados em missão a Boston (EUA), pela UNI ? Sindicado Mundial, em apoio aos trabalhadores do Sovereign Bank, que pertence ao banco espanhol, demitidos após tentarem constituir sindicato.

    A delegação cobra a reversão de demissões injustificáveis, fim da interferência da direção do banco no direito de organização dos trabalhadores e a assinatura do Acordo Marco Global, que garanta direitos trabalhistas e sindicais comuns para todos trabalhadores do banco espanhol em todo o mundo.

    Em carta enviada de Madri ao presidente da UNI Finanças, Oliver Röethig, o diretor de Relações Laborais do Santander, Juan Gorostidi Pulgar, não vê necessidade do encontro e que o Sovereign Bank respeita os direitos dos trabalhadores para formar um sindicato, se assim o desejarem.

    Para a diretora do Sindicato, Rita Berlofa, que participa da missão, o Santander perdeu a oportunidade de alinhar o discurso à prática. "Em várias oportunidades o banco diz que está aberto ao diálogo, mas se recusa a receber os sindicatos. Recusar-se a receber a UNI é um desrespeito com os trabalhadores. Não vamos aceitar essa postura e vamos continuar lutando pela assinatura do acordo marco", disse a dirigente que também é coordenadora da Rede Santander da América pela UNI e pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul.

    Como o banco se recusou em atender a delegação, o abaixo-assinado para que o Santander assine o acordo marco não pode ser entregue. Essa é a segunda vez que banco ignora o pedido de milhares de trabalhadores, já que a instituição sequer agendou na Espanha, conforme pedido pela UNI, uma reunião para a entregue do documento.

    Sovereign - A política antissindical utilizada pela direção do Sovereign Bank não é nova: demissões, pressão e intimidação dos trabalhadores, que ainda não contam naquele país com um sindicato que os represente. "O banco desenvolve uma campanha de medo, numa postura antissindical. Além de demitir aqueles que buscam se organizar, de tentar impedir que os bancários se reúnam em suas próprias casas, pudemos perceber o clima de tensão que os trabalhadores vivem nas agências que visitamos aqui em Boston", disse Maria Rosani, diretora do Sindicato que faz parte da missão integrada pelas delegações do Brasil, Reino Unido, Uruguai e Chile. Pelo Brasil, ainda participam o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, e os diretores Marcel Barros e Ademir Wiederkehr.

    Acordo Marco Global - Poder garantir a todos trabalhadores do Grupo Santander no mundo direitos fundamentais e conquistas, como a organização sindical sem ingerência patronal e a sindicalização sem retaliações, repressão ou discriminação. Esse é o objetivo do Acordo Marco Global. Em março, um seminário internacional realizado em São Paulo lançou campanha internacional pelo acordo. Em novembro, no Japão, um novo encontro será realizado como parte da mobilização pela campanha.